segunda-feira, 16 de maio de 2011

Sempre existe um segundo dia

Existe um dia em que precisamos mudar. Necessitamos mudar.
Um dia em que apagamos todas as fotos antigas e no lugar delas colocamos as novas. Um dia onde esquecemos as velhas músicas que só trazem lembranças para as que nos animam. Quando deixamos de supervalorizar aqueles que não nos amam. Deixamos de ligar para quem não nos liga e de mandar recados para aqueles que nunca respondem. 

Existe um dia em que paramos para reavaliar nossas decisões. Procuramos voltar atrás em algumas e nos parabenizamos por feito a coisa certa em outras. Um dia em que procuramos na agenda aquele antigo amigo que tanto nos ajudou há alguns anos atrás ou quando apagamos dela aquele número que nunca mais vamos ligar. Quando rasgamos as embalagens de bombons que um dia nos foi importante mas hoje não faz muita diferença. Quando jogamos fora algumas cartas velhas e guardamos mais ainda as que ainda possam significar algo.

Existe um dia em que decidimos ir ao show que nunca fomos. Que procuramos sair e conhecer pessoas novas. Um dia em que fazemos a primeira loucura de nossas vidas sabendo que talvez isso nos cause um grande arrependimento no dia seguinte. Um dia em que deixamos de ser quem fomos, por uma noite. Um dia em que viajamos sem previsão de volta...

Existe um dia em que achamos que sabemos se valeu a pena ser quem fomos durante toda a vida ou se era melhor não ter sido. Um dia em que gostaríamos de que não existisse o dia. 

Mas existe um dia em que percebemos que a vida é longa ou curta demais. Um dia em que vemos que vale a pena viver e selecionar quem vive conosco. Um dia em que mesmo sabendo que poderíamos ter sido melhores e feito escolhas melhores nos olhamos no espelho e nos orgulhamos de quem fomos e somos. Quando deixamos de sofrer e voltamos a viver como criança, sem preocupações, mesmo com todas as responsabilidades. Onde cada um encontra seu destino.

Um dia em que conhecemos Deus, voltamos ao primeiro dia da mudança e percebemos que valeu a pena mudar.


terça-feira, 3 de maio de 2011

Life .

Hoje me olhei no espelho e não reconheci o que vi. Eu já tenho rugas e meus cabelos estão brancos.

Parei pra lembrar do tempo e percebi que não lembrava. Fiz uma força para as boas lembranças mas elas não chegavam. Me perguntei onde estavam os espelhos que não me mostraram tantas diferenças.

Me perguntei por onde andei e onde estava todo este tempo. Cadê meus sonhos que foram esquecidos junto com todos os meus sorrisos e minhas lágrimas?

Eu não lembro dos amigos e da família. Não tenho fotos das viajens e dos fins de semana felizes. Na verdade eu nem sei se fui feliz.

Eu abro o guarda roupa esperando achar uma caixa onde ficam todas as boas lembranças, boas fotos e cartas dos amores antigos, mas não tem nada. Eu não tenho cartas, eu não tive amores.

Eu me sinto despertando de um coma de uma vida. De um coma sem hospitais, sem médicos e sem esperança de volta. Eu não lembro dos remédios, das doenças, das curas. Eu estou sobrevivendo e ainda não sei como, eu estou sobrevivendo e ainda não sei de quê.

Eu não espero lembrar dos anos, eu não consigo lembrar do tempo. Foi um tempo perdido e que eu não vou recuperar. Também não adiantaria, eu já sou velha, já tenho meus cabelos brancos e sei perceber quando passou minha vez.

Mas mesmo assim eu quero começar a me olhar no espelho todas as manhãs, quero me conhecer enquanto posso, vivenciar todos os dias o lindo amanhecer que nunca vi.

Olhar o mar e a lua. Olhar o céu e as pessoas que passarem por mim..

Quero ter certeza que o importante da vida é viver, não importa o dia em que você acorde pra ela.